Sábado às 4 da tarde abriram-se os portões do Sonar Festival em Sampa, já com uma hora de atraso e com tudo completamente desorganizado, um festival que abre sem cerveja gelada, não sei mais o que poderia dizer. Ah, sim, teve a fusão de brega pop com dubstep que quase me fez sair correndo do lugar e perder um dos shows a serem superados da temporada de 2012 no Brasil, o show dos escoceses malucos do Mogwai. A tela de led gigantesca com Pro Evolution Soccer estava bem disputada nesse meio tempo e não é capaz de amenizar o saldo negativo da organização do festival como um todo: não houve horário especial no metrô como houve no lollapalooza, nem ao menos um serviço de ônibus como o do planeta terra (ambos fatos 'justificáveis' pela menor proporção do evento) e apesar dos preços acessíveis tive a impressão de um público bastante elitista, figuras ostensivas em sua maioria se misturavam a figuras originais ou propositalmente comuns em proporção pelo menos também notável. O que se salvou do festival foram as apresentações dos artistas, mas a curadoria (em muitos casos) competente não chega a ofuscar pontos negativos também visíveis.
Assistir a um show do Mogwai foi uma experiência da mesma amplitude que experimentei com Radiohead em 2009, mas de tamanha maneira diferente que conseguiu estabelecer ainda mais parâmetros de qualidade para um show. Primeiramente, foi um show extremamente pequeno, dentro de um teatro. Cheguei ao local 40 minutos antes do começo do show, desencanando do show que pelo que vi não foi lá essas coisas do Cee Lo Green (diferente do que eu imaginava) e me surpreendendo com a facilidade com que fui capaz de colocar meus cotovelos no palco e ver com detalhes o formato dos acordes que cada músico fazia em seus instrumentos. Em segundo lugar e com igual importância, os caras tocam alto! Ambas do último disco, as duas primeiras músicas do show foram a pancada inicial necessária para tirar a pessoa da inércia de sua condição anterior e adentrar uma experiência sonora diferente, algo que já ouvi sobre o show do Mogwai e hoje posso confirmar. Rano Pano, pra mim a melhor do Hardcore Will Never Die But You Will gerou violentas expressões de muitas cabeças bangueantes ao redor da platéia, incapazes de ignorar influência já percebida.
Stop Coming To My House é uma música que começa pequena e ganha amplitude a cada adorno ou troca de efeito ou aumento de volume, chegando ao fim com guitarras bem mais estridentes, volumosas e altas, o que gerou até um fato engraçado no início da música seguinte, How To Be A Werewolf, na qual o guitarrista careca maluco (o único claramente visível na foto) se esquece de acionar a pedaleira correta e entra em sua parte com a distorção da música anterior, jogando uma lata de tinta amarela/laranja onde deveria ter passado um azulzinho de leve e dando risada por uns bons 10 segundos...
O ápice começou em 2 Rights Make 1 Wrong, aquela que reúne características que parecem oriundas de tudo o que veio antes misturado, amplificado e, como diria meu amigo maluco Silvio Santos, rodando! Logo após esta experiência mais observadora da totalidade, Batcat é como Pete Townshend terminaria seu show: após circular os braços esticados que orbitam no sol de seus captadores ligados a amplificadores também Marshall, moer cada instrumento com a violência pertinente, guitarras e baixo altos o suficiente para que sejam sentidos no osso externo.
Saí do show meio sem saber o que eu ia fazer depois, vi essa cara de confusão em outros rostos também.
Tive de recorrer a uma setlist da internet para me recordar da ordem e das exatas 10 faixas que contei no dia, clássico depois de clássico, mas vale o registro minuncioso de uma experiência maior que estes detalhes.
White Noise
Rano Pano
I'm Jim Morrison, I'm Dead
Stop Coming To My House
How To Be A Werewolf
Mexican Grandprix
Hunted By A Freak
Mogwai Fear Satan
2 Rights Make One Wrong
Batcat
[Mogwai - São Paulo, 12 de maio de 2012].
quarta-feira, 16 de maio de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Tim Buckley
Estou com este post praticamente pronto há semanas, mas isso que você está lendo é recente. O que você lê é o meu vá pra puta que o pariu para todas as tentativas anteriores de iniciar esta postagem. Tenho ouvido muito Tim Buckley, ultimamente, e entre uma ouvida e outra tive algumas idéias, assisti a um documentário aqui, a uma apresentação ali, coloquei algumas idéias em palavras, mas e o começo? Tentei uma abordagem mais enciclopédica, dizendo que começou a carreira depois de o empresário do Frank Zappa ter assistido uma apresentação dele, datas, cidades. E como tinha muita coisa já pronta, e eu queria falar de uma música, eu não conseguia encaixá-la com o resto já escrito. Mas a música era Hallucinations. Ela exemplifica a complementaridade da parceria de Tim Buckley e Larry Becket, mostra como a leveza da atividade artística de Buckley consegue transitar livremente em versos escritos por Becket, seu parceiro mais letrado, regrado. Ambos colaboraram na letra, o que dá uma forma interessante aos refrões (provavelmente idéia de Beckett), que se repetem melodicamente e em 2 estrofes diferentes que se alternam ao longo da canção (provavelmente idéia de Buckley). A letra em si obedece a delicados padrões estruturais não apenas nos refrões, mas escute logo a música e perceba o que estou dizendo.
"I felt you breathing
As I fell asleep
When I reached to touch you
No one was there
And the night was deep
The candle died
Now you are gone
For the flame was too bright
Now you are gone"
Hallucinations
As I fell asleep
When I reached to touch you
No one was there
And the night was deep
The candle died
Now you are gone
For the flame was too bright
Now you are gone"
Hallucinations
Um homem que compartilhava com Miles Davis a filosofia de que você só tem a perder quando pende para o lado fácil da música, reiventou-se diversas vezes ao longo de sua carreira e assim suas músicas são ouvidas por 242.963 ouvintes do site last.fm 46 anos após o lançamento de seu primeiro álbum.
Seu pai lutou na segunda guerra mundial e voltou para casa mais pra lá que pra cá; com condecorações demais, talvez. Sempre agressivamente buscou suprimir o talento e a juventude de seu filho, arrumando desculpas para dizer que ele nunca seria nada na vida, que seu primeiro casamento não daria certo (e até acertou nesta última). Talvez a convivência e o compartilhamento de metade dos genes com o lunático trouxesse um entendimento sobre os horrores maiores do pai, suas motivações escondidas. Eis parte da evidência:
Come Here Woman
Esta música é parte do disco em que Tim Buckley considerava ter feito sua melhor performance vocal, Starsailor. Ao longo de sua carreira o sr. Timothy Charles Buckley III experimentou entre muitos estilos, com misturas bastante improváveis de folk, bebop, pop, rock e psicodelismo. Starsailor é como se Buckley houvesse acessado a matéria mutável fundamental de todos seus outros discos, algo sem gênero que sintetizasse todo o resto, a goma! Se fosse pra chamar alguma coisa, experimentalismo visceral. Ouvir a música anterior nos poupa de explicações sobre a parte experimental. O improviso de que se desenvolveu a linha vocal de Song To The Siren - cantada por Tim em primeira mão imediatamente após ler a letra em frente a Larry Beckett - também parece ser suficiente para definir quanto o disco é visceral. A letra, de Beckett, novamente é mais rígida e organizada que a melodia do solto companheiro, inspirada por algo da mitologia grega sobre como sereias (sirens) levavam os barcos às pedras com seus encantos, sobre o que Tom Zé canta assim: "você inventa o amor, eu invento a solidão".
"I am puzzled as the newborn child
Seu pai lutou na segunda guerra mundial e voltou para casa mais pra lá que pra cá; com condecorações demais, talvez. Sempre agressivamente buscou suprimir o talento e a juventude de seu filho, arrumando desculpas para dizer que ele nunca seria nada na vida, que seu primeiro casamento não daria certo (e até acertou nesta última). Talvez a convivência e o compartilhamento de metade dos genes com o lunático trouxesse um entendimento sobre os horrores maiores do pai, suas motivações escondidas. Eis parte da evidência:
Come Here Woman
Esta música é parte do disco em que Tim Buckley considerava ter feito sua melhor performance vocal, Starsailor. Ao longo de sua carreira o sr. Timothy Charles Buckley III experimentou entre muitos estilos, com misturas bastante improváveis de folk, bebop, pop, rock e psicodelismo. Starsailor é como se Buckley houvesse acessado a matéria mutável fundamental de todos seus outros discos, algo sem gênero que sintetizasse todo o resto, a goma! Se fosse pra chamar alguma coisa, experimentalismo visceral. Ouvir a música anterior nos poupa de explicações sobre a parte experimental. O improviso de que se desenvolveu a linha vocal de Song To The Siren - cantada por Tim em primeira mão imediatamente após ler a letra em frente a Larry Beckett - também parece ser suficiente para definir quanto o disco é visceral. A letra, de Beckett, novamente é mais rígida e organizada que a melodia do solto companheiro, inspirada por algo da mitologia grega sobre como sereias (sirens) levavam os barcos às pedras com seus encantos, sobre o que Tom Zé canta assim: "você inventa o amor, eu invento a solidão".
Song To The Siren
"I am puzzled as the newborn child
I am riddled as the tide:
Should I stand amid the breakers?
Should I lie with Death my bride?
Hear me sing,
Swim to me, swim to me, let me enfold you
Here I am, here I am, waiting to hold you."
Posteriormente - no dvd Tim Buckley: My Fleeting House - Larry Beckett observaria sobre quão profético ou irônico teria sido Tim Buckley, um cara que morreu aos 28 anos, cantar se deveria se deitar com a morte, sua noiva. Como quase todo grande artista dos anos 60, Tim aventurou-se, sim, com drogas, até mesmo coisas mais pesadas como heroína. Contudo, sempre fora um músico e um profissional sério, abstinha-se de ferramentas de eventual suicídio químico enquanto tinha de cumprir horários. Não correria o risco por profissionalismo, mas por gosto o fez muitas vezes e até em doses superiores às de álcool e heroína que lhe foram fatais em Dallas, 28 de Junho de 75, após o último show da última turnê. Ele estava com menor resistência aos efeitos da droga devido à abstinência que praticou durante a turnê, uma morte acidental, surpreendendo a todos os familiares e pessoas próximas, do convívio diário do vocalista e exímio das 12 cordas.
As bizarrices do destino não se limitam à observação de Larry. Jeff Buckley, filho de Tim, teve por sua vez uma morte também trágica. Em uma noite em que dirigia com equipamento de som e instrumentos musicais até Memphis para se encontrar com sua banda, Jeff parou o carro e foi nadar no rio Wolf, já quase em seu destino. Segundo um roadie que ficou na margem para proteger alguns equipamentos e instrumentos, ele pulou com botas e todo vestido no rio, onde já nadara diversas vezes, cantarolando Whole Lotta Love enquanto nadava de costas. Uma embarcação grande e pesada veio e acabou remexendo lama do rio, que se acumulou nas botas e nas roupas de Jeff, levando-o para o fundo.
Finalizo o post com um vídeo do Jeff Buckley, sobre quem muito mais pessoas já sabem da existência e da qualidade, sobre quem meu post teria menos a acrescentar; se é que acrescentou.
Should I stand amid the breakers?
Should I lie with Death my bride?
Hear me sing,
Swim to me, swim to me, let me enfold you
Here I am, here I am, waiting to hold you."
Posteriormente - no dvd Tim Buckley: My Fleeting House - Larry Beckett observaria sobre quão profético ou irônico teria sido Tim Buckley, um cara que morreu aos 28 anos, cantar se deveria se deitar com a morte, sua noiva. Como quase todo grande artista dos anos 60, Tim aventurou-se, sim, com drogas, até mesmo coisas mais pesadas como heroína. Contudo, sempre fora um músico e um profissional sério, abstinha-se de ferramentas de eventual suicídio químico enquanto tinha de cumprir horários. Não correria o risco por profissionalismo, mas por gosto o fez muitas vezes e até em doses superiores às de álcool e heroína que lhe foram fatais em Dallas, 28 de Junho de 75, após o último show da última turnê. Ele estava com menor resistência aos efeitos da droga devido à abstinência que praticou durante a turnê, uma morte acidental, surpreendendo a todos os familiares e pessoas próximas, do convívio diário do vocalista e exímio das 12 cordas.As bizarrices do destino não se limitam à observação de Larry. Jeff Buckley, filho de Tim, teve por sua vez uma morte também trágica. Em uma noite em que dirigia com equipamento de som e instrumentos musicais até Memphis para se encontrar com sua banda, Jeff parou o carro e foi nadar no rio Wolf, já quase em seu destino. Segundo um roadie que ficou na margem para proteger alguns equipamentos e instrumentos, ele pulou com botas e todo vestido no rio, onde já nadara diversas vezes, cantarolando Whole Lotta Love enquanto nadava de costas. Uma embarcação grande e pesada veio e acabou remexendo lama do rio, que se acumulou nas botas e nas roupas de Jeff, levando-o para o fundo.
Finalizo o post com um vídeo do Jeff Buckley, sobre quem muito mais pessoas já sabem da existência e da qualidade, sobre quem meu post teria menos a acrescentar; se é que acrescentou.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Jónsi e Marley
Ano passado eu assisti a Go Quiet, do vocalista da banda Islandesa Sigur Rós, Jónsi. É uma belíssima releitura das músicas de seu próprio disco solo, Go, em versões minimalistas filmadas em sua casa, ou pelo menos em ambientes que sinalizam conforto semelhante para o artista. Grande músico, Jónsi dedilha violões, pianos e até um órgão que exige de seus pés o constante controle de ar dos foles, todos com naturalidade semelhante à com que sua voz se mistura aos instrumentos e se infiltra na consciência de quem o ouve. Seu timbre e sua entonação sinalizam algo maternal que confere a suas pontuações acerca do comportamento humano uma tonalidade de compreensão mais que de julgamento, o que faz dele a escolha de pessoas mundo afora após um dia cheio para aplainar as idéias.
A peculiaridade de suas escolhas de caminhos melódicos sempre me chamou a atenção. O processo para entendê-lo foi para mim semelhante ao processo para entender Bob Marley, talvez só por terem sido exóticos inicialmente. Dei crédito à teoria intuitiva. Costumo fazer isso por acreditar que não compreendemos até que ponto não estamos analisando as coisas mais profundamente que sabemos, e não sei se terei este caso para me refutar ou não.
A convergência das mentes destes artistas parece estar na detecção de problemas semelhantes da humanidade. O rumo que cada um toma faz as retas se inclinarem e se tocarem, por um lado, compreensiva e branda, por outro, protestante e violenta quando/se necessário. Pensei em polarizar as abordagens como feminina e masculina até perceber o quanto isso teria sido arbitrário. Ainda assim, pensar em suas características como reflexos opostos ajuda a entender melhor essa intersecção.
A música tem seu componente ying-yang, ainda outra vez, se fizermos um esforço para ver isso. Ára bátur, do Sigur Rós, uma música chamada Barco a Remo... Um conceito simples consegue estruturar uma produção que reflete uma cultura que cultua seus espaços vazios, a contemplação e o pacato - mesmo quando serve de analogia para o distanciamento entre pessoas. Como Jamming, uma metáfora simples que compara as jam sessions (quando os caras improvisam um som) à vida e como temos de fazer escolhas diárias e imediatas como a escolha das notas intuitivas, sem muito tempo para pensar, sendo a espontaneidade imposta responsável por produzir algo verdadeiro. As próprias definições, ou conjunto de características notáveis nos trabalhos das bandas parecem se polarizar assim, a música do Sigur Rós límpida e grandiosa pra cá, o reggae improvisado e fraturado pra lá.
É claro que eu podia manipular a realidade mais um pouco e tentar mostrá-la como a vejo para vocês de um jeito mais detalhado. Contudo, não quero impor - nem no blog - uma visão em que não acredito piamente. Fico feliz pela idéia intuitiva ter sido suficiente para que chegasse com o texto até aqui. No vídeo abaixo, um trecho de Go Quiet, Tornado, pode ser mais elucidativa que Ára bátur por ser cantada em inglês, mas o hopelandic - a tal da mistura de islandês, ou icelandic + esperança, ou hope, que consiste na mistura do idioma islandês com técnicas de improvisação que músicos usam para ir 'falando qualquer coisa' enquanto ainda não têm uma letra para uma música mas querem criar uma linha vocal - pode ser surpreendentemente expressivo. De qualquer maneira, cantar em inglês define com mais precisão a temática para a maioria dos ouvidos não fluentes em islandês. Em Tornado, a carga de compreensão mais do que de julgamento do discurso de Jónsi de que falei antes fica clara.
A música tem seu componente ying-yang, ainda outra vez, se fizermos um esforço para ver isso. Ára bátur, do Sigur Rós, uma música chamada Barco a Remo... Um conceito simples consegue estruturar uma produção que reflete uma cultura que cultua seus espaços vazios, a contemplação e o pacato - mesmo quando serve de analogia para o distanciamento entre pessoas. Como Jamming, uma metáfora simples que compara as jam sessions (quando os caras improvisam um som) à vida e como temos de fazer escolhas diárias e imediatas como a escolha das notas intuitivas, sem muito tempo para pensar, sendo a espontaneidade imposta responsável por produzir algo verdadeiro. As próprias definições, ou conjunto de características notáveis nos trabalhos das bandas parecem se polarizar assim, a música do Sigur Rós límpida e grandiosa pra cá, o reggae improvisado e fraturado pra lá.É claro que eu podia manipular a realidade mais um pouco e tentar mostrá-la como a vejo para vocês de um jeito mais detalhado. Contudo, não quero impor - nem no blog - uma visão em que não acredito piamente. Fico feliz pela idéia intuitiva ter sido suficiente para que chegasse com o texto até aqui. No vídeo abaixo, um trecho de Go Quiet, Tornado, pode ser mais elucidativa que Ára bátur por ser cantada em inglês, mas o hopelandic - a tal da mistura de islandês, ou icelandic + esperança, ou hope, que consiste na mistura do idioma islandês com técnicas de improvisação que músicos usam para ir 'falando qualquer coisa' enquanto ainda não têm uma letra para uma música mas querem criar uma linha vocal - pode ser surpreendentemente expressivo. De qualquer maneira, cantar em inglês define com mais precisão a temática para a maioria dos ouvidos não fluentes em islandês. Em Tornado, a carga de compreensão mais do que de julgamento do discurso de Jónsi de que falei antes fica clara.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Sobre Cigarros e Cercas [5]
this is not going to come out today, man. fuck this shit, i don't think i have anything else to say. i wish that everybody minded their own and only business, and that organic marijuana could be a Jamaican commmoditie. Life's not like that because the world is full of idiots. Idiots who would rather trust immediate and thoughtless reactions other than using their mind and common sense to evaluate the issues and virtues of everyday shit. people who would rather live with (sometimes not that much) pre-thought rules, values, whatever, and somehow this Insanity makes me smoke this shit other than some stinky fat and beautiful White Widow. Man, that really pisses me off...
--
Como farei para viver? Um mundo completamente novo, uma nova piscina de possibilidades se enche diante de mim, o futuro parece...
--
"Fio, vai buscar uma guaraná geladinha pra mãe no beer?"
"Sem problema!"
[a voz do garoto é levemente fanha, sua entonação, um misto de coitado e estúpido]
--
"Dois idiotas em uma uma bicicleta..."
Jow e seu irmão riem antes da história conseguir se iniciar, como também fizeram num universo anteriormente abordado, por alguns bons minutos.
"Cara, essa maconha é muito boa! Ela dá uma brisa muito consciente, como se o mundo girasse a meu redor e os detalhes fossem todos claros e se cristalizassem com facilidade na minha frente. Não o mundo, planeta. Algo como esse lugar, ou o que estiver na cabeça."
"Pode crer, cara. Acho que você perde um pouco o poder de direcionar qual será a próxima coisa na sua cabeça, mas mantém uma atenção maior que a comum sobre o que quer que pipoque no olho da mente. Sempre tive essa impressão... Mas, cara, você não falou dos idiotas!"
"Ah, os idiotas..."
--
"Fabinho!"
Maicon chamou por seu amigo ainda algumas vezes e estranhou a demora, estranheza confirmada pela cara de choro do amigo.
"Que foi, mano?"
"Ah, roubaram minha bike. Ontem dei um rolê com uns amigos, guardei em casa, agora há pouco fui procurar e... já era, mano, levaram mesmo, já revirei essa casa!
"Ah... quer ir na garupa, então? Tava indo buscar um refri pra minha mãe no beer."
"... Demoro, vamo lá"
--
"A Barra Forte vermelha da mãe de Maicon reluzia com o sol das 7, do horário de verão. Com expressão corajosa, o menino Fabinho seca as lagrimas e monta na garupa."
Após dizer isso, Jow olha brevemente para o horizonte e faz que não com a cabeça.
"O quê?"
"Nada, esquece... Então, cara, peguei a Camila e o Caio na casa deles e fui em direção ao bar pela avenida. No fim daquela descidona tem uma lombada gigantesca, né? Pois uns cinco segundos antes de passar pela lombada, vi o casal de cientistas anarquistas juvenis passando entre meu carro e a guia, um na garupa, pés na pedaleira e de costas para o outro, no piloto com um refrigerante pendurado por uma sacola no lado direito do guidão.
--
Enquanto, desta vez, o pneu da frente da bicicleta bate em cheio na casca de tartaruga do chão, a fina sacola plástica se rompe. Isso não evitou a ejeção do passageiro de outrora, mas poupou Maicon e seus dentes separados e levemente inclinados para a frente, expostos agora àquele mesmo sol das sete e pouco no horário de verão, enquanto sua risada aguda ecoava pelas paredes a desgraça superficial e ardida do amigo, sem total consciência da não gravidade do assunto, mas incapaz de conter o riso causado pela memória de segundos atrás. Um misto de alívio e senso de humor mórbido, natural até mesmo (ou principalmente?) ao garotinho de cara inocente.
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Como farei para viver? Um mundo completamente novo, uma nova piscina de possibilidades se enche diante de mim, o futuro parece...
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"Fio, vai buscar uma guaraná geladinha pra mãe no beer?"
"Sem problema!"
[a voz do garoto é levemente fanha, sua entonação, um misto de coitado e estúpido]
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"Dois idiotas em uma uma bicicleta..."
Jow e seu irmão riem antes da história conseguir se iniciar, como também fizeram num universo anteriormente abordado, por alguns bons minutos.
"Cara, essa maconha é muito boa! Ela dá uma brisa muito consciente, como se o mundo girasse a meu redor e os detalhes fossem todos claros e se cristalizassem com facilidade na minha frente. Não o mundo, planeta. Algo como esse lugar, ou o que estiver na cabeça."
"Pode crer, cara. Acho que você perde um pouco o poder de direcionar qual será a próxima coisa na sua cabeça, mas mantém uma atenção maior que a comum sobre o que quer que pipoque no olho da mente. Sempre tive essa impressão... Mas, cara, você não falou dos idiotas!"
"Ah, os idiotas..."
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"Fabinho!"
Maicon chamou por seu amigo ainda algumas vezes e estranhou a demora, estranheza confirmada pela cara de choro do amigo.
"Que foi, mano?"
"Ah, roubaram minha bike. Ontem dei um rolê com uns amigos, guardei em casa, agora há pouco fui procurar e... já era, mano, levaram mesmo, já revirei essa casa!
"Ah... quer ir na garupa, então? Tava indo buscar um refri pra minha mãe no beer."
"... Demoro, vamo lá"
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"A Barra Forte vermelha da mãe de Maicon reluzia com o sol das 7, do horário de verão. Com expressão corajosa, o menino Fabinho seca as lagrimas e monta na garupa."
Após dizer isso, Jow olha brevemente para o horizonte e faz que não com a cabeça.
"O quê?"
"Nada, esquece... Então, cara, peguei a Camila e o Caio na casa deles e fui em direção ao bar pela avenida. No fim daquela descidona tem uma lombada gigantesca, né? Pois uns cinco segundos antes de passar pela lombada, vi o casal de cientistas anarquistas juvenis passando entre meu carro e a guia, um na garupa, pés na pedaleira e de costas para o outro, no piloto com um refrigerante pendurado por uma sacola no lado direito do guidão.
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Enquanto, desta vez, o pneu da frente da bicicleta bate em cheio na casca de tartaruga do chão, a fina sacola plástica se rompe. Isso não evitou a ejeção do passageiro de outrora, mas poupou Maicon e seus dentes separados e levemente inclinados para a frente, expostos agora àquele mesmo sol das sete e pouco no horário de verão, enquanto sua risada aguda ecoava pelas paredes a desgraça superficial e ardida do amigo, sem total consciência da não gravidade do assunto, mas incapaz de conter o riso causado pela memória de segundos atrás. Um misto de alívio e senso de humor mórbido, natural até mesmo (ou principalmente?) ao garotinho de cara inocente.
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terça-feira, 18 de outubro de 2011
Late Night Music - Louis Armstrong plays W. C. Handy
Sabe aquela coisa que você não faz por querer.. minha intenção era dormir, mas antes disso, zapeando pelas minhas músicas no agora menos utilizado notebook - em detrimento de um novo PC, porém ainda meu favorito para escrever -, vi um disco que tinha ouvido já há tanto tempo que nem me lembrava mais o que tinha achado, esse Louis Armstrong plays W. C. Handy. Foi um grato presente do acaso, apesar de novamente atrasar meus planos em escrever sobre bandas que tocarão no Brasil no fim do ano nos festivais vindouros. Um grato presente, também apesar de novamente atrasar o meu sono, já fodido em grande parte pela mudança de horário. Mas é melhor que achar dinheiro no bolso, essa história de achar música boa perdida no computador.
Não somente por achar um bom disco do Louis Armstrong, algo relativamente fácil. Os extras tão fartos da versão (vinil duplo) disponibilizada na foto contém sequências memoráveis e somam-se ao grande repertório, exclusivo de Handy. A entrevista é outro presente: o audivelmente idoso e sábio compositor fala ao produtor do disco, George Avakian, sobre suas impressões e as da imprensa da época acerca de Louis, seu talento e sua personalidade. Pops e seu jeito de cantar sorrindo não contagiam apenas a nós. Risadas espontâneas no clima mais relaxado do ensaio são ouvidas, a interação entre os músicos é mais notável, como numa apresentação ao vivo. Em geral, sentem-se à vontade para experimentar e improvisar nos ensaios de maneira mais solta, até para um desfecho melódico menos agradável às vezes, mas nunca menos para o real ou humano. Deixo em streaming a versão de ensaio de Loveless Love, na qual Satchmo e Velma Middleton cantam um pouco mais baixo, um dialogo bem humorado e afinado, sem deixar de mencionar os All Stars, time virtuosíssimo do trompetista cujo nome cai tão bem. Assim você terá de baixar o disco pra ouvir a entrevista ou mesmo a piada que Louis conta sob disfarce de uma história de sua infância. Cara carismático...
Como selecionar as maiores pérolas do repertório seria tão penoso quanto tentar escrever sobre todas elas e eu preciso dormir, eu vou dormir. Boa noite! Espero que curta o disco.
Loveless Love (rehearsal sequence)
![]() |
No Semióticas você pode ler uma resenha sobre 'Pops', biografia do cantor e trompetista, em um texto muito interessante. |
Não somente por achar um bom disco do Louis Armstrong, algo relativamente fácil. Os extras tão fartos da versão (vinil duplo) disponibilizada na foto contém sequências memoráveis e somam-se ao grande repertório, exclusivo de Handy. A entrevista é outro presente: o audivelmente idoso e sábio compositor fala ao produtor do disco, George Avakian, sobre suas impressões e as da imprensa da época acerca de Louis, seu talento e sua personalidade. Pops e seu jeito de cantar sorrindo não contagiam apenas a nós. Risadas espontâneas no clima mais relaxado do ensaio são ouvidas, a interação entre os músicos é mais notável, como numa apresentação ao vivo. Em geral, sentem-se à vontade para experimentar e improvisar nos ensaios de maneira mais solta, até para um desfecho melódico menos agradável às vezes, mas nunca menos para o real ou humano. Deixo em streaming a versão de ensaio de Loveless Love, na qual Satchmo e Velma Middleton cantam um pouco mais baixo, um dialogo bem humorado e afinado, sem deixar de mencionar os All Stars, time virtuosíssimo do trompetista cujo nome cai tão bem. Assim você terá de baixar o disco pra ouvir a entrevista ou mesmo a piada que Louis conta sob disfarce de uma história de sua infância. Cara carismático...
Como selecionar as maiores pérolas do repertório seria tão penoso quanto tentar escrever sobre todas elas e eu preciso dormir, eu vou dormir. Boa noite! Espero que curta o disco.
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