quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Arte de Não Saber Brincar

:: Ouvindo Apples in Stereo - Green Machine ::

Hope Sandoval & The Warm Inventions - Bavarian Fruit Bread

Este post é apenas uma ratificação do que foi dito no post anterior; apenas mais uma prova irrefutável sobre o quanto Hope Sandoval não sabe brincar! Ela e Cólm Ó Cíosóig (baterista do My Bloody Valentine) fazem este disco com um apelo muito mais acústico e 'limpo' do que o de Mazzy Star, sem perder, contudo, a tristeza e a delicadeza, características da maravilhosa voz de Hope Sandoval.
'Suzanne', 'Drop' e 'Charlotte' são pontos altos, mas não inquestionáveis, já que todo o álbum merece grande atenção. 'On the Low', por exemplo, é do caralho. De qualquer maneira, deixo disponíveis a set list e o link para download deste excelente álbum, sem mais delongas. Só lembrando que em setembro sairá o novo álbum desta banda...
Cheers!


Hope Sandoval & The Warm Inventions - Bavarian Fruit Bread (link do blog American Rock Club)


01 "Drop" – 2:32
02 "Suzanne" – 4:51
03 "Butterfly Mornings" – 3:34
04 "On the Low" – 5:09
05 "Baby Let Me" – 1:32
06 "Feeling of Gaze" – 3:26
07 "Charlotte" – 4:31
08 "Clear Day" – 6:08
09 "Untitled Track" – 1:18
10 "Bavarian Fruit Bread" – 4:07
11 "Around My Smile" – 4:38
12 "Lose Me on the Way" – 7:42

domingo, 12 de julho de 2009

Mazzy Star

:: Ouvindo Olivia Tremor Control - Define a Transparent Dream ::


Hope Sandoval é a vocalista desta maravilhosa banda da década de 90, grata e tardia surpresa para este que vos fala do ano de 2009.
Com um som melancólico, pulsante, delicado, folk com low-fi, até parecido com My Bloody Valentine, só que um pouco menos 'barulhento'. Os riffs de violão e guitarra (paradoxal e fortemente destorcida, em algumas músicas) vão se misturando aos efeitos eletrônicos, que dão uma ambientação foda ao som de Mazzy Star. Uma ambientação, que, de alguma forma que não posso identificar, assemelha-se com o som do Cure. Um clima meio Allan Poe, meio Londres de madrugada.
Hope Sandoval (apelona), então, acaba com a brincadeira. Com sua voz suave e extremamente afinada, ela termina de dar 'a cara' da banda.


O álbum She Hangs Brightly, em específico, tem como destaques as músicas 'Halah', 'Blue Flower', 'Ride It On' e 'Be My Angel'. A verdade é que ele é inteiramente bom. Sem mais, o link para download e a set list:


Mazzy Star - She Hangs Brightly


1 Halah 3:15
2 Blue Flower 3:35
3 Ride It On 3:01
4 She Hangs Brightly 6:24
5 I'm Sailin 3:13
6 Give You My Lovin' 3:50
7 Be My Angel 3:17
8 Taste of Blood 5:36
9 Ghost Highway 3:28
10 Free 3:11
11 Before I Sleep 2:10

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Late Night Tales - Matt Helders

"O que você ouviu que mais te influenciou na escolha de ser músico?"
É respondendo a esta pergunta que alguns DJs, músicos e bandas entraram para a série Late Night Tales. Basicamente, é feita uma compilação com as músicas que o sujeito escolhido mais gostar, músicas 'worth staying up for', finalizada pela narração de algum conto.




Neste álbum, quem responde à tal pergunta é o baterista dos Arctic Monkeys, Matt Helders. O destaque desta edição pode ficar por conta de Stooges, do tom de hip hop que caracteriza o álbum como um todo e, certamente, pela finalização, com um conto extremamente bem escrito e narrado por Alex Turner (também dos Macacos Árticos). Seguem o link e a setlist:






Late Night Tales - Matt Helders


1. Goblin - Connexion
2. Matt Helders feat Nesreen Shah - Dreamer
3. Viktor Vaughn - Vaudeville Villain
4. Yamasuki - Yama Yama
5. Zeph & Azeem - Play The Drum
6. DJ Format - Charity Shop Soundclash
7. Little Barrie - Free Salute
8. The Black Keys - Thickfreakness
9. The Stooges - Dirt
10. Johnny & The Hurricanes - Sheba
11. Modeselektor feat Puppetmastaz - The Dark Side Of The Sun
12. Mos Def - Ms. Fat Booty
13. Luniz - I Got 5 On It (Original Clean Short Mix)
14. The Coral - Grey Harpoon
15. Minnie Riperton - Reasons
16. Roots Manuva - Dreamy Days
17. Ty - Break The Lock
18. Simian Mobile Disco - I Believe
19. The Rapture - Olio
20. Alex Turner - A Choice Of Three

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Viola Caipira

Caros, tenho de expressar meu pesar pelos meios através dos quais a Viola se popularizou no Brasil. Um instrumento tão genuíno, tão complexo e cheio de possibilidades, limitados a bicordes precedentes de explosões de euforia de platéias universitárias. Não, meus caros, esta não é a Viola que gostaria de lhes apresentar.


A Viola que quero apresentar é tocada por um rapaz chamado Elomar. Elomar, um cara que usa as 10 cordas da Viola, não as 4 primeiras dos bicordes universitários. Não é preciso ser um matemático indiano professor do MIT para saber que as possibilidades aumentam quando se usa 60% a mais do instrumento.
E isto seria pouco a mais. O problema é que o tal do Elomar tem um coração que não cabe dentro dele, meus caros. Não cabe, e extravasa através dos dedos, calejados pelo contato com as cordas metálicas; e das cordas vocais, que vibram ao sabor do sofrimento e da alegria com força ímpar.


Isto já seria o suficiente. Mas, meus caros, o Elomar é um sujeito que não anda com qualquer um. Então, uma vez, ele, Heraldo do Monte, Artur Moreira Lima e Paulo Moura resolveram gravar um disco, através do qual expressariam a musicalidade do brasileiro. Sem mais, as palavras do próprio Sr. Artur Moreira Lima:


"A idéia do ConSertão é mostrar o instrumentista brasileiro e sua capacidade de arranjar, improvisar, bordar, enfeitar, tecendo tramas e enredos musicais sobre temas muito ou poucos conhecidos, mas de valor musical incontestável.
A liberdade de improvisação, se empregada com discernimento, consolida a forma musical, ao invés de dilacerá-la. Esse problema arquitetural, a manutenção da forma na música com espaços para improvisos, tão temido ao començarmos os ensaios, foi se resolvendo sozinho, à medida que cada um de nós foi se acostumando à linguagem sonora dos companheiros, sentindo-se enriquecido pelas idéias dos outros, adicionando a seu próprio idioma as riquezas dialetais dos parceiros.
Outra de nossas preocupações foi estabelecer climas musicais, mais pela sugestão que pela afirmação. Daí, talvez, veio o caráter algo impressionista do espetáculo, pois cada músico teve possibilidade de explorar ao máximo sua fantasia individual, limitando-se apenas pelas fronteiras do bom gosto.
Evidentemente, vieram à tona todas as influências que tivemos em nossa formação. De músicos e de seres humanos."


Além do Consertão, disponibilizarei um disco do Elomar que hoje adquiri em Vinil por apenas R$4,00, em uma banca de colecionadores especializada em cartões telefônicos e minicraques da Coca-Cola. Como é bem dito no comercial da loteca, 'a sorte é igual para todos'. Que bom!


Consertão
Elomar Em Concerto (Sala Cecilia Meirelles)
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