segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Oompa Loompas fazendo anarquia na copa e sua avó reclamando

:: ouvindo The Fall - Lay Of The Land ::

Boa noite, caríssimos leitores.

Como sempre, decidi utilizar o período de provas tanto para justificar minha ausência (que se extende desde o primeiro dia deste mês) como para procrastinar meus estudos! Exatamente, ao invés de Formação Econômica e Social do Brasil II, que tal um som que parece que tem um rapaz salpicando um monte de oompa loompa no seu cérebro (palavras da pessoa para quem o post é dedicado)?

Por mais excêntrica, esta é uma descrição (acredite!) bastante precisa do Apples in stereo. Precisa no sentido de que o colorido das texturas de cada música, construídas com guitarras estridentes, sintetizadores espaciais fazendo woosh e zing pra lá e pra cá, vocais agudos, precisos e compatíveis com as temáticas malucas das letras, tudo isso em um ritmo irresistível que bota os sapatos deste travado que vos fala para tirar faíscas do chão - voltando, o colorido destas texturas é muito exótico, é uma experiência muito diferente; neste sentido, oompa loompas fazendo rapel no seu córtex acabam sendo uma boa metáfora!

Assim como Girls in Hawaii, o pessoal do The Apples in stereo - que antes era chamado apenas The Apples, mas teve o 'in stereo' adicionado ao fim de seu nome para parecer um comercial, um adjetivo, como se estivesse vendendo um cd ou um rádio - faz música com apelo essencialmente pop. Assim como as Garotas do Havaí, também, o som deles é de uma qualidade assombrosa, o deles mais que o 'delas'; o caminho entre as notas é percorrido com precisão, suavidade e, principalmente, é construído sob um céu cor-de-rosa  por onde passam aviões, pássaros e tortas de cereja do mesmo tamanho. Tudo isso com a autêntica atmosfera indie que só pode ser produzida por um dos inventores (ou, no mínimo, grandes representantes do início) do estilo: sintetizadores, cores, irreverência, alegria, esse som é uma resposta bem educada ao grunge, sem reprovar ou aprovar nada, apenas mostrando um novo rumo para a música. Ah, os anos 90!

De todos os discos, recomendarei apenas dois: o primeiro e o último. Por quê? Bom...
O primeiro, chamado Fun Trick Noisemaker é um disco que acaba resumindo o conceito inicial da banda, como discutido pelo líder Robert Schneider (tal qual o ator!) e Chris Parfitt, membros fundadores da banda. Estes dois rapazes, unidos pelo amor aos Beach Boys (um dos grandes amores deste que vos fala), pensavam em fazer uma banda de rock, como o Velvet Underground ou o Black Sabbath, com a qualidade de produção dos Beach Boys. Esta descrição é até melhor que a dos oompa loompas, mas também foi feita pelos criadores da banda, pô...
E talvez essa descrição mencionada acima não defina tão bem assim o Travellers In Space And Time, disco lançado este ano e, até agora, um dos grandes favoritos para melhor de 2010. O álbum tem um formato muito interessante, alternando-se entre músicas e 'vinhetas' (faixas de 30s a 1min que podem incluir caras falando, caras falando com vozes estranhas, transições instrumentais bizarríssimas, sessões de hipnose, etc) com uma naturalidade com a qual é difícil se acostumar. É como se um rapaz com o penteado da princesa Leia entrasse com uma caminhonete todo dia na sala de aula, entregasse uma maçã pra professora e se sentasse ao seu lado pedindo a matéria da prova. Seria difícil de aceitar, mas ninguém reclama ou expressa surpresa. É assim que este disco vai...

Deixo aqui uma seleção de algumas das minhas favoritas deles em streaming. Baixem, comprem, copiem, só me façam o favor de não negligenciar esta maravilhosa banda.

Winter Must Be Cold
She's Just Like Me/Taking Time
Strange Solar System / Dancefloor


(ouvir estas duas faixas em sequência foi o que originou a descrição dos pequenos oompas)

Energy

Hey Elevator

Cheers!

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