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Eduard Kennedy 'Duke' Ellington, pianista de Washington, DC, um dos maiores compositores da história do jazz, uniu-se ao baixista de mesmo calibre do seu, Charles Mingus e ao grandíssimo baterista do beebop, Max Roach, para gravar Money Jungle em Setembro de 62, há quase 40 anos! O número limitado de instrumentos não serve de muro para nada. Pelo contrário, os músicos souberam se utilizar de eventuais pausas alheias para alongar notas, quebrar o ritmo ou apreciar a beleza do silêncio de diversas composições, em sua grande maioria do pianista.
O piano é um instrumento muito completo, não é à toa que grande parte dos compositores dão vazão a seus impulsos criativos nas teclas brancas e pretas. Parece ser o instrumento com disposição mais formal e organizada das notas, o que o faz onipresente nas gravações dos mais diversos gêneros em estúdio. Além disso, a consistência e o volume de seu timbre permitem momentos em um disco como Solitude, uma das obras-primas de Duke Ellington, abordada em dois diferentes takes com maestria e isolamento do compositor no início das duas faixas. Vinícius de Moraes era quem falava, 'pra que eu vou querer um cara no piano se ele não for triste'...
Backward Countryboy Blues, de fato, parece ser tocada ao contrário. Em uma linha de contrabaixo extremamente agressiva, Charles Mingus justifica sua fama de "zangado homem do jazz", interagindo com intervenções de um Duke Ellington do velho oeste, faceta permeada em outras faixas do álbum. A Little Max é a faixa em que o trabalho do baterista fica mais evidente, obviamente. Sua influência na montagem das peças, expressa em adornos de seções ou mesmo viradas entre elas fica toda caricaturizada nas duas versões da composição. O experimentalismo parece ditar o tom da postura dos músicos em todo o Money Jungle.
Baixo e bateria são considerados a seção rítmica do jazz. O trio pode ser polarizado desta maneira - Duke pra cá, eles pra lá - mais que de maneira exclusivamente normativa. A intensidade e o volume com que tocam Roach e Mingus não apenas se contrapõem ao estilo do grande compositor, obrigam-no a sair de sua zona conforto, mais elegante e delicada. Assim, em alguns momentos o ofício do pianista passa a ser lutar por um faixa audível no espectro musical de diversas peças, tarefa oposta à que normalmente se impõe, de abafar a característica 'solo' do instrumento. Obviamente, o sr. Ellington estava à altura do trabalho.
Fleurette Africane (African Flower) tem a beleza de seu título honrada justamente por esta interação bipolar. Ellington e Mingus espiralizam-se numa melodia delicada e fraturada. O contra-baixo parece descontínuo para aqueles que não sabem apreciar os breves segundos de silencio entre seus velozes devaneios. Duke sabe, deixa as notas se prolongarem, dando uma tonalidade azul interessante para a música. Interage com o contrabaixista, sentem-se à vontade em experimentar dentro do teórica e erroneamente suposto limitado horizonte criativo para um trio. Trata-se claramente de um estúdio lotado de egos inflados, ok, mas que se respeitam mutuamente e cujos trabalhos se completam de maneira grandiosa. Escute à noite.
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Post dedicado à minha irmã, Nana.
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Post dedicado à minha irmã, Nana.

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