quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mogwai - Sonar Festival

Sábado às 4 da tarde abriram-se os portões do Sonar Festival em Sampa, já com uma hora de atraso e com tudo completamente desorganizado, um festival que abre sem cerveja gelada, não sei mais o que poderia dizer. Ah, sim, teve a fusão de brega pop com dubstep que quase me fez sair correndo do lugar e perder um dos shows a serem superados da temporada de 2012 no Brasil, o show dos escoceses malucos do Mogwai. A tela de led gigantesca com Pro Evolution Soccer estava bem disputada nesse meio tempo e não é capaz de amenizar o saldo negativo da organização do festival como um todo: não houve horário especial no metrô como houve no lollapalooza, nem ao menos um serviço de ônibus como o do planeta terra (ambos fatos 'justificáveis' pela menor proporção do evento) e apesar dos preços acessíveis tive a impressão de um público bastante elitista, figuras ostensivas em sua maioria se misturavam a figuras originais ou propositalmente comuns em proporção pelo menos também notável. O que se salvou do festival foram as apresentações dos artistas, mas a curadoria (em muitos casos) competente não chega a ofuscar pontos negativos também visíveis.
 Assistir a um show do Mogwai foi uma experiência da mesma amplitude que experimentei com Radiohead em 2009, mas de tamanha maneira diferente que conseguiu estabelecer ainda mais parâmetros de qualidade para um show. Primeiramente, foi um show extremamente pequeno, dentro de um teatro. Cheguei ao local 40 minutos antes do começo do show, desencanando do show que pelo que vi não foi lá essas coisas do Cee Lo Green (diferente do que eu imaginava) e me surpreendendo com a facilidade com que fui capaz de colocar meus cotovelos no palco e ver com detalhes o formato dos acordes que cada músico fazia em seus instrumentos. Em segundo lugar e com igual importância, os caras tocam alto! Ambas do último disco, as duas primeiras músicas do show foram a pancada inicial necessária para tirar a pessoa da inércia de sua condição anterior e adentrar uma experiência sonora diferente, algo que já ouvi sobre o show do Mogwai e hoje posso confirmar. Rano Pano, pra mim a melhor do Hardcore Will Never Die But You Will gerou violentas expressões de muitas cabeças bangueantes ao redor da platéia, incapazes de ignorar influência já percebida.

Stop Coming To My House é uma música que começa pequena e ganha amplitude a cada adorno ou troca de efeito ou aumento de volume, chegando ao fim com guitarras bem mais estridentes, volumosas e altas, o que gerou até um fato engraçado no início da música seguinte, How To Be A Werewolf, na qual o guitarrista careca maluco (o único claramente visível na foto) se esquece de acionar a pedaleira correta e entra em sua parte com a distorção da música anterior, jogando uma lata de tinta amarela/laranja onde deveria ter passado um azulzinho de leve e dando risada por uns bons 10 segundos...

O ápice começou em 2 Rights Make 1 Wrong, aquela que reúne características que parecem oriundas de tudo o que veio antes misturado, amplificado e, como diria meu amigo maluco Silvio Santos, rodando! Logo após esta experiência mais observadora da totalidade, Batcat é como Pete Townshend terminaria seu show: após circular os braços esticados que orbitam no sol de seus captadores ligados a amplificadores também Marshall, moer cada instrumento com a violência pertinente, guitarras e baixo altos o suficiente para que sejam sentidos no osso externo.

Saí do show meio sem saber o que eu ia fazer depois, vi essa cara de confusão em outros rostos também.

Tive de recorrer a uma setlist da internet para me recordar da ordem e das exatas 10 faixas que contei no dia, clássico depois de clássico, mas vale o registro minucioso de uma experiência maior que estes detalhes.

White Noise
Rano Pano
I'm Jim Morrison, I'm Dead
Stop Coming To My House
How To Be A Werewolf
Mexican Grandprix
Hunted By A Freak
Mogwai Fear Satan
2 Rights Make One Wrong
Batcat
[Mogwai - São Paulo, 12 de maio de 2012].

3 comentários:

JandeSF disse...

Olá Lucas!

Primeiramente, parabéns pelo blog. Encontrei ele por acaso e as dicas musicais são realmente muito boas.

Gostaria de saber se você pode me ajudar a resolver um pequeno problema.

Queria dar de presente para o meu pai neste dia dos pais o album "Pimp Master" do Soil and Pimp Sessions, mas não encontro em lugar algum, e uma encomenda do Amazon nunca chegaria à tempo.

Vou comprar mesmo assim, pois os caras são bons e eu realmente quero dar dinheiro pra eles (hah), mas para contornar a demora, resolvi arranjar a versão digital do album e queimar um CD, e imprimir também as capinhas, frente e verso. O problema é que não encontro as capas.

Então, durante a busca, vi em um blog antigo que você tem o Pimp Master. Se for a versão física do CD, você teria a possibilidade de escanear para mim essas artes para que eu possa imprimir aqui? Ficaria muito grato.

Abraços

Lucano disse...

Jande,

Primeiramente agradeço pelo comentário, escrevo há anos e apesar de receber um número razoável de visitas, os que se dão ao trabalho de falar sobre o blog são poucos.

Soil & Pimp Sessions é uma banda mais foda de encontrar cds, imagina então vinil, que é o único formato que compro, rsrs... não tenho mesmo, desejo sorte com a procura!

abraço!

JandeSF disse...

Tranquilo! Vou continuar a busca então! Consegui encontrar o Pimpoint inteiro, com capinhas e tudo mais, então talvez acabe dando esse de presente até o da Amazon chegar. Cheguei a encontrar a capa européia do Pimp Master, mas é muito feia. Hah.

Obrigado pela resposta rápida!

Abraço!