Ano passado eu assisti a Go Quiet, do vocalista da banda Islandesa Sigur Rós, Jónsi. É uma belíssima releitura das músicas de seu próprio disco solo, Go, em versões minimalistas filmadas em sua casa, ou pelo menos em ambientes que sinalizam conforto semelhante para o artista. Grande músico, Jónsi dedilha violões, pianos e até um órgão que exige de seus pés o constante controle de ar dos foles, todos com naturalidade semelhante à com que sua voz se mistura aos instrumentos e se infiltra na consciência de quem o ouve. Seu timbre e sua entonação sinalizam algo maternal que confere a suas pontuações acerca do comportamento humano uma tonalidade de compreensão mais que de julgamento, o que faz dele a escolha de pessoas mundo afora após um dia cheio para aplainar as idéias.
A peculiaridade de suas escolhas de caminhos melódicos sempre me chamou a atenção. O processo para entendê-lo foi para mim semelhante ao processo para entender Bob Marley, talvez só por terem sido exóticos inicialmente. Dei crédito à teoria intuitiva. Costumo fazer isso por acreditar que não compreendemos até que ponto não estamos analisando as coisas mais profundamente que sabemos, e não sei se terei este caso para me refutar ou não.
A convergência das mentes destes artistas parece estar na detecção de problemas semelhantes da humanidade. O rumo que cada um toma faz as retas se inclinarem e se tocarem, por um lado, compreensiva e branda, por outro, protestante e violenta quando/se necessário. Pensei em polarizar as abordagens como feminina e masculina até perceber o quanto isso teria sido arbitrário. Ainda assim, pensar em suas características como reflexos opostos ajuda a entender melhor essa intersecção.
A música tem seu componente ying-yang, ainda outra vez, se fizermos um esforço para ver isso. Ára bátur, do Sigur Rós, uma música chamada Barco a Remo... Um conceito simples consegue estruturar uma produção que reflete uma cultura que cultua seus espaços vazios, a contemplação e o pacato - mesmo quando serve de analogia para o distanciamento entre pessoas. Como Jamming, uma metáfora simples que compara as jam sessions (quando os caras improvisam um som) à vida e como temos de fazer escolhas diárias e imediatas como a escolha das notas intuitivas, sem muito tempo para pensar, sendo a espontaneidade imposta responsável por produzir algo verdadeiro. As próprias definições, ou conjunto de características notáveis nos trabalhos das bandas parecem se polarizar assim, a música do Sigur Rós límpida e grandiosa pra cá, o reggae improvisado e fraturado pra lá.
É claro que eu podia manipular a realidade mais um pouco e tentar mostrá-la como a vejo para vocês de um jeito mais detalhado. Contudo, não quero impor - nem no blog - uma visão em que não acredito piamente. Fico feliz pela idéia intuitiva ter sido suficiente para que chegasse com o texto até aqui. No vídeo abaixo, um trecho de Go Quiet, Tornado, pode ser mais elucidativa que Ára bátur por ser cantada em inglês, mas o hopelandic - a tal da mistura de islandês, ou icelandic + esperança, ou hope, que consiste na mistura do idioma islandês com técnicas de improvisação que músicos usam para ir 'falando qualquer coisa' enquanto ainda não têm uma letra para uma música mas querem criar uma linha vocal - pode ser surpreendentemente expressivo. De qualquer maneira, cantar em inglês define com mais precisão a temática para a maioria dos ouvidos não fluentes em islandês. Em Tornado, a carga de compreensão mais do que de julgamento do discurso de Jónsi de que falei antes fica clara.
A música tem seu componente ying-yang, ainda outra vez, se fizermos um esforço para ver isso. Ára bátur, do Sigur Rós, uma música chamada Barco a Remo... Um conceito simples consegue estruturar uma produção que reflete uma cultura que cultua seus espaços vazios, a contemplação e o pacato - mesmo quando serve de analogia para o distanciamento entre pessoas. Como Jamming, uma metáfora simples que compara as jam sessions (quando os caras improvisam um som) à vida e como temos de fazer escolhas diárias e imediatas como a escolha das notas intuitivas, sem muito tempo para pensar, sendo a espontaneidade imposta responsável por produzir algo verdadeiro. As próprias definições, ou conjunto de características notáveis nos trabalhos das bandas parecem se polarizar assim, a música do Sigur Rós límpida e grandiosa pra cá, o reggae improvisado e fraturado pra lá.É claro que eu podia manipular a realidade mais um pouco e tentar mostrá-la como a vejo para vocês de um jeito mais detalhado. Contudo, não quero impor - nem no blog - uma visão em que não acredito piamente. Fico feliz pela idéia intuitiva ter sido suficiente para que chegasse com o texto até aqui. No vídeo abaixo, um trecho de Go Quiet, Tornado, pode ser mais elucidativa que Ára bátur por ser cantada em inglês, mas o hopelandic - a tal da mistura de islandês, ou icelandic + esperança, ou hope, que consiste na mistura do idioma islandês com técnicas de improvisação que músicos usam para ir 'falando qualquer coisa' enquanto ainda não têm uma letra para uma música mas querem criar uma linha vocal - pode ser surpreendentemente expressivo. De qualquer maneira, cantar em inglês define com mais precisão a temática para a maioria dos ouvidos não fluentes em islandês. Em Tornado, a carga de compreensão mais do que de julgamento do discurso de Jónsi de que falei antes fica clara.




